sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aos meus irmãos

"Há um intervalo entre meus pensamentos
Um sopro de sanidade a me torturar a alma
Com lembranças boas de tempos passados
(porque somente estas me doem tanto?)
Manchadas pela ausência de quem partiu
Sem dizer Adeus, foi-se por entre as nuvens
Levando consigo parte de mim


Eu fui ficando
Como um sobrevivente de guerra
Ao qual já não resta bandeira ou objetivo
Senão o de reaver meus amigos, meus irmãos!
Que bateram asas para um lugar melhor
E de lá talvez dêem risadas
Da banalidade destes meus versos"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Emancipação

"Abro uma página em branco, como tem sido todos os dias de minha vida
Busco inspiração sentado de fronte a ela e invejo-a
Ela é página, é possibilidade, é fantasia e eu, o que posso ser?
Hipóteses venho sendo reiteradas vezes (mas de que?),
Sempre carregado da mesma esperança tosca
Já cansada de tanto esperar


Concentro-me não sei bem em que, e as palavras fluem
Constroem-se por si só, sendo eu, mais uma vez, coisa alguma
Senão um reles intermediário entre o vazio de mim
E a realidade crua dos pensamentos recém criados


Contemplo-os com satisfação saudosa e tola, agora já não me pertecem
Agora que os exorcizei de mim e os vi tomar(finalmente) uma forma
Que não esta minha


Aos poucos as frases se encaixam, traduzindo-se em verdades, sentimentos, 
tolices como qualquer outra coisa que exista de fato
Eu os leio e releio e a mim são verdadeiras obras-primas,
Ainda que eu, mais do que qualquer outro, tenha plena noção de sua banalidade
(Porque tudo o que existe é banal e insensato)


Nisto consiste a minha saudade, na insensatez de todas as coisas
Nos sonhos que deixaram de ser sonho
Convertendo-se em realidade vazia, sem mistério, sem graça


Vivo dos sonhos
Do que mais poderia viver?
Se é isso tudo e nada que me resta


O grafite desliza sobre a superfície nua da folha
No compasso dos meus pensamentos
Parágrafos rápidos, lentos, confusos, delirantes!
Instantes de consciência são deixados para trás
Como prova de que um dia existi e sonhei
Assim como tantos outros


De existência parecida ou não
Quem sabe quantos homens já pensaram estas mesmas coisas
E se indagaram desta mesma questão que agora me atormenta?
Quem sabe (e de que valeria saber?)


Lá fora, o mundo
Em mim a alegre sensação de vê-lo ao entardecer
Através da janela já suja e enegrecida pelo tempo
(Não sei se beleza está na janela, no mundo 
ou apenas no momento)


Antes de concluir o que sinto
Já não existe nada a sentir
Pois o mundo já não é o mesmo
E a sensação abandonou-me de vez
Emancipou-se de mim."

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Camilla

"Só de fitar teus olhos, minha alma se enche de alegria e de uma vontade incontida de levar-te comigo para sempre
Pobre de mim quando não estou ao teu lado, distante de ti que me fortalece, desapareço em meio à saudade
E tu me invades com toda a força da natureza, como uma tempestade de amor quente e impetuosa
Ah, se tu soubesses o que sinto quando me banho com lembranças tuas, no meio da rua gritando o meu amor em alto e bom tom! 
Quando estiveres sozinha, olhando a chuva cair, preste atenção e me escutarás. Estarei pensando em ti enquanto me afogo e afundo profundo no que restou de mim."

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pensamento da tarde

"A principal diferença entre um poeta e um idiota é que o primeiro consome-se em devaneios e loucuras, mas sempre consciente de seus próprios absurdos, enquanto o segundo engana-se durante toda uma vida sob a falsa idéia de que algo nela faz sentido."

O dobro de mim

"Tudo o que sinto por qualquer pessoa, sinto em dobro
Porque já o sentia antes mesmo de conhecer essa tal pessoa
E agora o tenho apenas em maior intensidade ou volume
Nada novo, que impressione, apenas as mesmas sensações sendo amplificadas infinitamente
Sempre mais próximas de me levar à loucura total e completa"

Flor da saudade

"Toda flor esconde um pouco de tristeza
Ao ver nascer o Sol no horizonte
A lhe banhar a fronte de brilho,
Completando, por assim dizer, sua beleza


Deixa-se seduzir à vontade, sem pudor
De todo o coração se entrega,
Alimentado-se impiedosamente, ansiosa por saciar a fome
Do mais verdadeiro e intenso amor


Tendo em mente plena certeza
Do abandono iminente daquele que a seduz
Que tão logo chegue o cair da noite
Tua luz esconderá novamente,
Deixando para trás solidão 
E saudade das tardes de verão


Quando se contemplavam em silêncio,
Numa harmonia plena e sincera
Cientes da finitude do dia
E da alegria de ter a quem amar"

O ponto

"Vivo de finais, sejam eles alegres ou tristes, porque tudo é fim
E apesar de ainda não estar muito certo qual será o meu, sigo desenhando a vida
Com todas as suas cores e de todas as formas possíveis


Gosto de gostar e ainda mais de sofrer por amor,
Somente para ter a certeza de que realmente amo
De que sou humano, antes e acima de tudo!


Às vezes penso ser este tal ponto final o responsável por me apertar a garganta
Quando vejo o pôr-do-sol ou sinto a brisa em silêncio, ciente de que tudo é passado
E de que a cada segundo o danado fica maior e mais próximo"