"Seu corpo quieto,
entregue à sonolência da tarde que se arrasta, me parece a mais
bela arte. Porcelana branca, lisa, gélida. Faz frio. Posso ver cada
poro se arrepiar e estremecer, enquanto suas mãos me afagam,
primeiro com calma, depois com desespero, como se duvidassem da minha
presença ou quisessem prolongá-la infinitamente ao seu lado. No
silêncio, gestos despudorados, delinquentes, mudos, multiplicam-se
indefinidamente. Sinto seu coração disparar, cada vez mais
depressa, mais distante, entregue ao instante de calor breve de um no
outro. Devo dizer-lhe adeus, mas não sei como."