"Seu corpo quieto,
entregue à sonolência da tarde que se arrasta, me parece a mais
bela arte. Porcelana branca, lisa, gélida. Faz frio. Posso ver cada
poro se arrepiar e estremecer, enquanto suas mãos me afagam,
primeiro com calma, depois com desespero, como se duvidassem da minha
presença ou quisessem prolongá-la infinitamente ao seu lado. No
silêncio, gestos despudorados, delinquentes, mudos, multiplicam-se
indefinidamente. Sinto seu coração disparar, cada vez mais
depressa, mais distante, entregue ao instante de calor breve de um no
outro. Devo dizer-lhe adeus, mas não sei como."
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terça-feira, 9 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Pôr-do-sol em sampa
"Aurora refletida nos olhos,
Ansiedade contida no peito sem ter por que
Sentado aqui do alto analisando a tarde
Em suas mil cores vibrantes
Minha mente perece distante
Do calor tímido que me banha o corpo
E me atravessa a alma
Minha mente merece calma nessa tarde fria,
Mas no silêncio o coração dispara
Arde em emoção dispersa, duvidosa de si
Fazendo o sangue correr depressa nas veias
Como correm os carros nas vias desertas
Caleidoscópio de luzes diversas, dançantes
Involuntárias em seu ritmo incessante
A me embalar enquanto a noite não vem."
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