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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Último desejo

"O tempo se foi,
O som esgotou-se
Cedeu o lar ao silêncio
O café requentado pela manhã
As tardes na varanda lendo o jornal
E o cafuné no cão preguiçoso aos seus pés
Cedeu sonhos não realizados
E promessas nunca cumpridas
Cedeu o ‘eu te amo’ que não disse quando pôde
Quando a única coisa a lhe impedir era então ele mesmo
Cedeu a esmo, sem luta
Não quis resistir
Cedeu com total consciência
E com a displicência que lhe era característica
Viveu sem graça, cedeu sem riso
Morreu sem choro ou último desejo."

terça-feira, 9 de julho de 2013

Drama particular

"Seu corpo quieto, entregue à sonolência da tarde que se arrasta, me parece a mais bela arte. Porcelana branca, lisa, gélida. Faz frio. Posso ver cada poro se arrepiar e estremecer, enquanto suas mãos me afagam, primeiro com calma, depois com desespero, como se duvidassem da minha presença ou quisessem prolongá-la infinitamente ao seu lado. No silêncio, gestos despudorados, delinquentes, mudos, multiplicam-se indefinidamente. Sinto seu coração disparar, cada vez mais depressa, mais distante, entregue ao instante de calor breve de um no outro. Devo dizer-lhe adeus, mas não sei como."

domingo, 26 de maio de 2013

Vinte e três

"Antes do sopro
Uma hesitação
Vontade de deixar 
Queimar e queimar
Sem nunca apagar a chama

Antes do novo
O silêncio,
Uma excitação 
Ambos a me cumprimentar

Depois do beijo,
Um abraço de despedida
E até nunca mais!"